Brazil184330, 60 and 90 réis

Olho-de-boi do Brasil (1843) — Os Primeiros Selos das Américas

O Olho-de-boi é o primeiro selo postal das Américas, emitido pelo Império do Brasil a 1 de Agosto de 1843. Os seus grandes algarismos em óvalos pretos ornamentados tornaram o Brasil no segundo país do mundo, depois da Grã-Bretanha, a introduzir selos adesivos nacionais.

Os três selos brasileiros Olho-de-boi de 1843, com os grandes algarismos 30, 60 e 90 em óvalos pretos ornamentados com fundo em guilhoché sobre papel amarelado

Olho-de-boi, 1843. Correios do Brasil. Public domain, via Wikimedia Commons.

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Como identificar um Olho-de-boi

Um Olho-de-boi autêntico mostra um grande algarismo — 30, 60 ou 90 — inserido num óvalo ornamentado preenchido com uma fina trama em guilhoché, impresso a preto sobre papel avitelado amarelado a acinzentado. O denso padrão de fundo, de linhas entrelaçadas, recorda o labor do Penny Black e destinava-se a dificultar as falsificações.

Não há nome de país, retrato nem qualquer inscrição além do algarismo do valor em réis. O desenho é rodeado por uma fina linha de moldura rectangular, e os selos são sem denteado: os exemplares autênticos eram recortados da folha à tesoura e, no melhor dos casos, mostram quatro margens claras.

Os selos foram impressos em talhe-doce (gravura em profundidade) na Casa da Moeda, a casa da moeda imperial no Rio de Janeiro. Sob ampliação, as linhas pretas revelam-se nítidas e ligeiramente em relevo. Impressões planas, acinzentadas ou desfocadas são um sinal de alarme de falsificações litografadas.

História

O Brasil adoptou o porte pré-pago notavelmente cedo. Um decreto do imperador Pedro II, datado de 29 de Novembro de 1842, ordenou selos adesivos segundo o modelo britânico, e os três valores entraram à venda a 1 de Agosto de 1843 — apenas três anos depois do Penny Black e meses depois do cantão de Zurique. Isso tornou o Brasil no segundo país do mundo e no primeiro das Américas a emitir selos postais nacionais.

Curiosamente, o desenho evitou deliberadamente o retrato do imperador: considerava-se desrespeitoso que o rosto de Pedro II fosse desfigurado por carimbos. A casa da moeda optou antes por algarismos puros, e as figuras robustas nos seus amplos óvalos depressa ganharam a alcunha de Olho-de-boi.

Os 30 réis pagavam impressos e cartas locais, os 60 réis a tarifa normal de carta simples, e os 90 réis o correio mais pesado. Os registos sobreviventes indicam que se venderam cerca de 856 000 exemplares do 30 réis, 1,34 milhões do 60 réis e apenas cerca de 341 000 do 90 réis. Em 1844, o grande desenho foi substituído pelos Inclinados, mais pequenos e claros, conhecidos dos colecionadores como olhos de cabra.

Raridade e variedades

O 60 réis é o valor mais visto hoje em dia, o 30 réis é um pouco mais escasso, e o 90 réis é claramente o mais raro da série, graças à sua pequena tiragem. O estado importa imenso: a maioria dos sobreviventes foi recortada rente, pelo que os exemplares com quatro margens completas alcançam fortes prémios.

Uma das chapas era mista, com impressões de 30 réis e 60 réis na mesma folha. Os pares se-tenant dos dois valores provenientes dessa chapa estão entre as grandes raridades da filatelia clássica — a famosa tira Pack, que combina ambas as denominações, alcançou um preço recorde para a filatelia brasileira. As cartas com datas precoces, sobretudo usos de Agosto de 1843, são também muito disputadas.

Os especialistas distinguem as tiragens pelo papel e pela impressão: as mais antigas em papel acinzentado com impressões nítidas e finas, as posteriores em papel amarelado com fundos desgastados e desfocados. Existem falsificações e reimpressões posteriores, por isso o material oferecido como novo ou em múltiplos deve vir sempre acompanhado de um certificado pericial.

Valor estimado

Como estimativa ampla e aproximada, os Olho-de-boi usados de 30 e 60 réis com margens médias costumam negociar-se por volta de 100 a 500 USD, enquanto o 90 réis, mais escasso, vai tipicamente de várias centenas até cerca de 1500 USD ou mais. Os exemplares de quatro margens, as peças novas, os pares se-tenant e as cartas sobem aos milhares e muito além. São apenas orientações gerais, não valores de catálogo; os preços reais dependem muito das margens, da impressão, do papel e da certificação.

Estimativa, não uma avaliação: As faixas de valor são estimativas gerais apenas para orientação e não constituem uma avaliação profissional. Para qualquer decisão de compra, venda ou seguro, consulte um especialista qualificado. Veja nossa Termos de Serviço.

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Perguntas frequentes

Por que se chama Olho-de-boi?

A alcunha vem do desenho: um grande algarismo dentro de um amplo óvalo ornamental que lembrava o olho de um boi. As emissões brasileiras mais pequenas que se seguiram receberam, no mesmo espírito, as alcunhas de olhos de cabra (1844) e olhos de gato (1850).

Quanto vale um selo Olho-de-boi?

Como estimativa ampla, os exemplares usados de 30 e 60 réis com margens médias valem geralmente cerca de 100 a 500 USD, e o 90 réis, mais raro, de várias centenas a cerca de 1500 USD ou mais. Os exemplares novos, as peças de quatro margens, os pares e as cartas podem atingir milhares. As margens, a qualidade da impressão e os certificados determinam o preço, por isso trate estes valores como intervalos aproximados.

O Olho-de-boi é raro?

Moderadamente. No total venderam-se mais de dois milhões, pelo que os exemplares usados soltos de 30 e 60 réis surgem com regularidade em leilão. A verdadeira raridade começa com o 90 réis, os exemplares finos de quatro margens, os selos novos, os pares se-tenant de 30 e 60 réis e as cartas precoces — esses sim são genuinamente difíceis de encontrar.

Por que não há retrato do imperador Pedro II no selo?

Considerava-se desrespeitoso que o rosto do imperador fosse marcado e riscado por carimbos. Por isso o Brasil escolheu um desenho neutro de algarismos, e os primeiros selos das Américas mostram apenas grandes números de valor dentro de um óvalo ornamentado.

Como distingo um Olho-de-boi autêntico de uma falsificação?

Os selos autênticos são impressos em talhe-doce, pelo que o fundo em guilhoché se vê nítido e ligeiramente em relevo sob ampliação, sobre papel avitelado amarelado a acinzentado. As falsificações litografadas parecem planas e turvas na trama. Para exemplares novos, múltiplos ou peças caras, obtenha um certificado de uma entidade de peritagem reconhecida.

Fontes